Canela que eu vi

Canela, Rio Grande do Sul  por Roberto Lima

Estive em Canela tantas vezes que não vou conseguir separar aqui a história de um passeio para contar. Na verdade creio que vou condensar o que lembrar sobre a cidade, talvez a considerando como minha durante algum tempo.

Vamos iniciar pelos caminhos que a separam de Porto Alegre, então minha cidade de moradia. Temos algumas opções para ir a Canela, vamos descrever cada uma delas. A primeira é seguir até Novo Hamburgo, dobrar para Taquara, daí subir para Gramado e chegar a Canela.

Este percurso é bastante seguro, pois as estradas são mais novas e parte em pista dupla. No caminho passamos por outras cidades onde podemos aproveitar alguns atrativos. No trecho entre Novo Hamburgo e Taquara passamos pelo Morro do Ferrabraz onde poderemos ver, em dias propícios, o vôo das águias em asas deltas ou paraglider. Entre Taquara e Gramado temos as fábricas e lojas de calçados onde se pode fazer ótimas compras quer em questões de preço como de qualidade. Alguns restaurantes pelo caminho também são bons motivos de parada.

Outro roteiro é passar Novo Hamburgo e seguir pela BR116, indo a Nova Petrópolis, Gramado e Canela. Neste caminho temos uma estrada mais estreita após Novo Hamburgo com trechos sinuosos lentos, mas que é compensado pela beleza e cuidados ao longo da via. A plástica dos plátanos ao longo de quase todo o caminho, com seus matizes em tons de cobre e verde, conforme a época do ano, nos dão um belo espetáculo. Nas cidades deste caminho temos opções de paradas para lanches, para apreciar artesanatos, quedas d`água ou para pequenas compras.

A terceira opção de acesso a Canela é seguir para Novo Hamburgo, manter-se na BR116, até passar a cidade de Morro Reuter onde, toma-se à direita para passar por Santa Maria do Herval e daí seguir para Gramado e Canela. Esta opção tão bela quanto a anterior nos mostra um caminho mais curto em distância, muito bonito, mas com estradas mais estreitas e parte sem pavimentação. Temos o privilégio de poder apreciar algumas cidadelas bem do interior, seus armazéns típicos onde ainda se ouve o dialeto alemão que era falado pelos imigrantes que vieram habitar a região. Em Santa Maria do Herval pode-se apreciar uma bela cachoeira de mais de 100 metros de altura e, seguindo um caminho infelizmente um tanto mal cuidado, passar por baixo da queda d`água.

Vamos então a Canela! Cidade que tem uma imensa quantidade de atrativos para o turista, quer sejam naturais ou produzidos para bem atender a quem lá chega. Uma quantidade de hotéis, pousadas e restaurantes que em poucas cidades se encontra. Quantidade e qualidade, devo frisar. E mais os cafés coloniais com uma variedade de pratos que impede qualquer um de experimentar a todos em uma única visita.

Alguns lugares a visitar são do conhecimento da maioria das pessoas, pois constam em qualquer guia de viagem, tais como a Catedral de Pedra onde se realiza a chegada do Papai Noel durante o período do Sonho de Natal. Espetáculo muito bonito e que congrega não apenas turistas, como também os moradores da cidade. Outro atrativo muito conhecido, talvez o ponto turístico mais importante do sul do Brasil, é a Cascata do Caracol, abrigada em um parque muito organizado, limpo e bonito. Há uma escadaria para quem quer se aventurar a descer à base da cascata. Mas é bom avisar que tem mais de 900 degraus e que não deve ser utilizada a menos que o preparo físico do vivente esteja de acordo. Dentro do mesmo parque existe a sede do Projeto Lobo Guará de preservação das espécies da região.

Ao lado deste parque, em outro empreendimento, temos um teleférico que vai do alto de um morro até próximo à base da cascata. Não tão próximo quanto poderíamos desejar, mas que nos possibilita uma vista muito bonita e diferente da Cascata.

Retornando para Canela temos uma parada obrigatória no Castelinho do Caracol, uma edificação histórica construída ainda pelos imigrantes e que não utiliza pregos na sua construção. Além de visitar as dependências do Castelinho, que guarda peças de época como um museu, é bom manter um espaço no estômago para degustar um “apfelstrudel” com chá que é servido com muita atenção pelos proprietários do local.

Em toda a avenida Borges de Medeiros que leva da entrada da cidade até a frente da Catedral, temos uma grande quantidade de lojas de artesanato, malhas, roupas em couro e outras que fazem do local um ponto para compras ou para um simples passeio. Todas as ruas têm boa sinalização e o povo é muito educado em matéria de respeito ao turista.

Ainda cabe destacar mais alguns atrativos que não são assim tão populares. As ruínas do Cassino que fica no alto de um morro para trás da Catedral de Pedra, obra que foi abandonada quando da proibição dos jogos de azar no país. O empreendimento abrigaria um hotel com seus restaurantes e o cassino, dentro de um parque muito grande. Na época era dos maiores empreendimentos que havia no Rio Grande do Sul e contava com apoio e financiamento do Governo Federal, via Caixa Econômica.

Há um parque que fica na estrada que liga Canela a São Francisco de Paula, pouco após a saída da cidade. Local bonito e onde se realizam grandes festas populares e religiosas.

Os morros Pelado, Queimado e Dedão. Lugar magnífico pelo visual que proporciona em dias sem nevoeiro. De lá avistamos todo o vale do Quilombo, num ângulo talvez ainda mais bonito daquele que temos do mirante do Hotel Laje de Pedra. A diferença entre os dois lugares é o acesso. Ao mirante do Hotel Laje de Pedra vai-se por via pavimentada, ao contrário dos Morros.

Retornando deste passeio temos o Parque das Sequóias para ser visitado. Parque que abriga uma pousada e muitas trilhas para observação de espécies de árvores muito antigas, além das aves da região.

O Vale do Quilombo é mais um atrativo que quero citar. Abriga algumas pousadas, restaurantes e uma vinícola que deve ser visitada. Em todo o vale temos propriedades rurais muito bem cuidadas e organizadas. Suas estradinhas são de solo natural, mas têm boa qualidade além de estarem num local bonito e aprazível.

Esta foi a Canela que eu vi e que não vi também. Explico: são uma característica da região os nevoeiros em qualquer estação do ano. Assim, mesmo no verão, é bom levar algum agasalho e estar preparado para não ver parte da cidade em alguns horários do dia. Vi um painel publicitário sobre Canela que mostrava uma fotografia que apresentava uma casa típica com seus pinheiros num dia de nevoeiro. Estes elementos, em conseqüência, pouco apareciam na imagem. E o texto dizia: “Canela é bonita até quando não se vê”.Com certeza!

Até a próxima viagem!

COMO CHEGAR: Vindo de Porto Alegre siga pela BR 116 até Novo Hamburgo, daí há opções conforme descrevi acima.

DICAS DO VIAGEIRO: Faça reservas para sua hospedagem para não ter surpresas, principalmente na alta estação: inverno e período de Natal.

GUIA CIDADES: Canela, Gramado, São Francisco de Paula

Veja também:

Hotéis e Pousadas em Canela; Hotéis e Pousadas em Gramado; Hotéis e Pousadas em São Francisco de Paula

Deixe uma resposta