Cambará do Sul – Itaimbezinho e Fortaleza

Cambará do Sul – Itaimbezinho e Fortaleza

por Roberto Lima

A serra sempre é um local fascinante. Os campos de cima da serra com sua vegetação característica, nevoeiros, frio mesmo no verão, ao menos durante a noite, as propriedades divididas por taipas de pedra. Algo de muito bonito com um encanto particular.

Saímos de Criciúma com um destino muito diferente, bonito e imponente pela frente. Os cânions de Itaimbezinho e Fortaleza. Além dos outros que fazem parte dos mesmos conjuntos dos Aparados da Serra. A cidade mais apropriada para hospedagem e sede das expedições para os cânions só pode ser Cambará do Sul.

Clima frio nas noites de Carnaval, mas um bom sol e certo calor durante o dia, nevoeiro para completar o visual. Chegamos início da tarde no Itaimbezinho e fomos passear pelo parque. Tudo organizado, paga-se ingresso agora, estacionamento e trilhas orientadas para os passeios.

O visual do cânion é de difícil descrição. Só mesmo vendo, mas vamos a uma tentativa. Estamos num relevo de altitude, cerca de 1000 metros acima do nível do mar. Campos verdejantes se descortinam por uma imensidão que os olhos perdem na distância. De repente se avistam imensas fendas no chão com larguras e profundidades assustadoras. Mais de 800 metros de profundidade! Lá no fundo destes vales, por assim dizer, vê-se tudo muito pequeno. As águas da cachoeira que despencam de suas bordas tornam-se como que fumaça chegando ao fundo do vale. Os costões são de uma beleza singular com sua formação rochosa e a vegetação que se desenvolveu e que ali se fixa como que testemunhando o tempo. Sobe do fundo destes vales um vento frio carregado de nevoeiros a partir de certo horário. Tudo magnífico, imenso, belo!

Saímos do Itaimbezinho e fomos em busca de um hotel ou pousada para ficar. Nossa viagem não estava planejada propriamente, algo que é de nosso costume, aventurar-se simplesmente e, estando bom, vamos vendo como resolvemos as coisas. Era meio de feriadão e tudo estava lotado, ou quase tudo. Acabamos ficando em um antigo hotel, belo e descuidado prédio na avenida da cidade, meio desanimador pela aparência, mas com um atendimento muito acolhedor de sua proprietária.

À noite saímos para jantar num restaurante típico gaúcho de cima da serra. Uma canha para aquentar o vivente, fogo para manter o ambiente! Fogão a lenha, churrasqueira e carnes era a pedida certa. Muita comida de panela, tudo muito leve e saudável. Um bom vinho. O local é muito bem freqüentado, estava cheio e tinha uma música de gosto e com volume nos trinques. Um acordeom com o grupo de violeiros fez o fandango ficar no nível!

O café da manhã do hotel foi algo à parte. Ao chegarmos no salão tomamos conhecimento das normas da casa. Primeiro que nós perdemos o jantar da noite anterior no próprio hotel, o que nem mesmo sabíamos que haveria. Mas pareceu que os outros também não. Foram se reunindo, juntando alguns víveres e fizeram um bom jantar no fogão a lenha todos reunidos. Pena que perdemos isto, pareceu pelo tom da prosa que esteve muito animado tal jantar. Fica para a próxima.

Segunda norma é que o salão de café estava em desuso por iniciativa dos próprios hóspedes e com o apoio da dona da casa. Estavam todos na cozinha, grande mesa ao centro, fogão a lenha aceso e todos os ingredientes do café a disposição. Era só servir-se! Claro, preparar o café, aquentar o leite, cortar salame, queijo e tudo o mais. Ou seja, algo por demais caseiro e inusitado para quem tem o hábito de ir a hotéis ou pousadas com o atendimento característico de café da manhã. Mas tudo muito bom! Inclusive o chimarrão que corria de mão em mão.

De lá saímos para ir ao Cânion da Fortaleza. Ouvimos muitos desencorajamentos, pois para se ir até lá e ver algo antes do nevoeiro, teríamos que ter saído muito cedo, disseram-nos. Mas, com toda a fé de que iríamos ver o cânion, insistimos e seguimos para lá.

São cerca de 20 Km de estradas de terra e pedra muito do ruim. Nosso carro em nada era feito para aquele tipo de terreno, mas nenhuma dificuldade nos perturbou. Chegamos ao Cânion por volta de 11 horas e fomos direto ao topo da última montanha. E o nevoeiro? Que nada, tomamos inclusive, uma certa queimadura do sol, mas isso só notamos à noite.

Do alto da montanha avistamos o mundo ao longe. Torres, o mar oceano, quase a África! Caminhamos até a última montanha por entre uma vegetação por vezes densa e com uma certa dose de aventura. Irresponsabilidade, talvez, pois se o nevoeiro se formasse estaríamos em muito maus lençóis.

Curtimos bastante o visual, o silêncio, o murmurar do vento. Depois de parecer estar voando no alto dos penhascos, retornamos à base e rumamos para a Pedra do Segredo. Muita sorte ter visto o Cânion sem nevoeiro e ainda queríamos mais. Já eram cerca de 14 horas, mas seguimos até o ponto de parada na estradinha e dali a pé.

Novo passeio de sucesso e com visuais deslumbrantes. Na verdade não podíamos crer que a natureza nos pudesse privar daquilo tudo. Aproveitamos o visual, fotos, o ar das montanhas, o sol, certo calor até. Retornamos ao carro e saímos de lá já após as 15h30. O nevoeiro, então, começava a se formar.

No caminho uma pausa no Paradouro Fortaleza para um lanche, almoço, tudo junto. Local muito bonito, bom atendimento no estabelecimento. Uma canha pra aquentar, um ótimo lanche, chocolate quente, já era a pedida.

Daí foi o retorno para casa. Mais um belo passeio. Até a próxima viagem!

DICAS DO VIAGEIRO: Leve sempre roupa quente, mesmo no verão.

COMO CHEGAR: Chega-se a Cambará vindo do sul via São Francisco de Paula ou pela BR 101 subindo via de Praia Grande.

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