São João Del Rei

A história do município de São João del Rei, em Minas Gerais, está associada à descoberta do ouro na região, no começo do século 18. Da riqueza do período colonial, a cidade preservou um magnífico acervo arquitetônico e cultural, representado, entre outros exemplos, pelas igrejas de São Francisco de Assis, Matriz de Nossa Senhora do Pilar e Nossa Senhora do Rosário, pela ponte da Cadeia e a Casa de Bárbara Heliodora.

Além do núcleo histórico preservado, outras atrações turísticas são o Museu Regional e o Complexo Ferroviário, construído em 1878 e fundamental para o progresso da cidade. Os visitantes também se impressionam com o badalar freqüente dos sinos das igrejas, emitindo uma música característica para fatos do cotidiano cidade, como uma missa, uma morte ou solenidade. Por este motivo, a cidade ganhou o título informal de “Terra onde os sinos falam”.

São João del Rei é a terra natal de Tancredo Neves (1910—1985), presidente da República eleito em 1985, governador de Minas Gerais (1983—1984), ministro da Justiça na segunda gestão do presidente Getúlio Vargas (1953—1954), primeiro-ministro no curto período parlamentarista brasileiro (1961), deputado e senador. Seu corpo foi sepultado no cemitério da Ordem Terceira de São Francisco, que fica na igreja de São Francisco de Assis.

De acordo com a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os primeiros povoadores da região foram paulistas, procedentes da cidade de Taubaté. Entre eles, estava Tomé Portes del Rei, que se fixou às margens do rio das Mortes, localidade a que chamavam de Porto Real da Passagem. A ele se atribui a descoberta do ouro, em 1792. Ali, formou-se o primeiro arraial.

Em 1704, novas descobertas de ouro atraíram levas de mineradores, fazendo surgir um novo aglomerado, que deu origem à futura São João del Rei. Os paulistas ergueram no local a primeira capela, consagrada a Nossa Senhora do Pilar. Escolhido quando o povoado se tornou vila em 1713, o nome de São João del Rei prestava uma homenagem ao rei D. João 5º, de Portugal.

As disputas pelo direito de explorar o ouro chegaram ao ponto máximo nos sangrentos episódios da Guerra dos Emboabas, de 1707 a 1709. O conflito armado se deu em várias localidades de mineração, entre elas a futura São João del Rei. Enfrentaram-se paulistas, de um lado, e, de outro, os mineradores e comerciantes vindos de outras capitanias e de Portugal, que receberam o nome pejorativo de emboabas, alusão ao fato de usarem botas.

Na antiga área geográfica do município de São João del Rei fica a fazenda do Pombal, onde nasceu o alferes Joaquim José da Silva Xavier (1746—1792), o Tiradentes, líder da Inconfidência Mineira, o movimento rebelde contra a dominação da Coroa portuguesa. Com o desmembramento em 1962, a fazenda passou à jurisdição do município de Ritápolis. Em 1789, São João del Rei foi cogitada para ser capital de Minas pelos inconfidentes.

O tombamento do acervo arquitetônico e paisagístico da cidade se deu em 1938 e 1947. O núcleo histórico preservado constituía, na época, a área mais íntegra. O conjunto de bens imóveis tombados totalizava mais de 700, com prédios, igrejas capelas, pontes, chafariz e o Complexo Ferroviário.

A cidade, localizada na região Central de Minas, tem cerca de 83 mil habitantes, segundo estimativas para 2006. O clima é ameno e apresenta temperatura média de 19º C. Principais distâncias: Belo Horizonte (185 km), Tiradentes (14 km), São Paulo (480 km), Rio de Janeiro (330 km) e Brasília (930 km).

Fontes: Francisco Iglésias (in São João Del Rei na História de Minas e do Brasil, Editora Expressão e Cultura, Rio de Janeiro, 1986); Enciclopédia dos Municípios Brasileiros (IBGE, 1959); Atlas dos Monumentos Históricos e Artísticos de Minas Gerais. Circuito do Ouro. Campos das Vertentes, vol. 2 (Fundação João Pinheiro, 1981) e inventário do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

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