Travessia Porto Alegre a Rio Grande

Travessia Porto Alegre a Rio Grande por Roberto Lima

Rio Guaíba – A vida em um veleiro Rio Grande a Florianópolis

Esta história de viagem se deu lá por 1994. A viagem toda vai de Porto Alegre até Florianópolis num veleiro oceânico de 43 pés ou 13,2 metros, dois mastros, pesando 12,5 toneladas e com três tripulantes a bordo. Aqui relataremos a etapa que compreende o trecho de Porto Alegre até Rio Grande, ao longo da Lagoa dos Patos e Rio Guaíba. O relato continuará com a etapa Rio Grande a Florianópolis.

Após muitos preparativos, o barco com pintura nova, convés consertado, velas revisadas, estávamos prontos para partir para uma grande aventura. Esta aventura a que me refiro, iria nos levar até Florianópolis. Claro que antes tínhamos a travessia de Porto Alegre a Rio Grande para ser feita.

Esclareço, para os menos experientes na arte da navegação – e que nunca se atentaram a este detalhe, que para irmos de Porto Alegre ao Norte pelo mar teremos, necessariamente, de ir a Rio Grande. Não há outra saída por água, ainda. O que fez Garibaldi durante a Revolução Farroupilha foi deslocar seus batelões sobre rodas, pelo campo e rebocado por uma tropa de bois, das proximidades de Palmares do Sul até Tramandaí. Para tomar este percurso ele navegou rumo Norte pela Lagoa do Casamento que é a parte norte, por assim dizer, da Lagoa dos Patos e que banha as costas de Palmares do Sul.
Então, muito já havíamos navegado pelo Rio Guaíba e a Lagoa dos Patos, mas ir além da fronteira que separa nossa querida Lagoa do mar, era uma peripécia que a muitos assustava. Mesmo aos velejadores mais audazes.

A idéia recorrente nos clubes náuticos da região, e que não é de todo errada visto ser aprovada por tantos navegadores que já estiveram nos oceanos do sul do Brasil, abaixo do temido cabo de Santa Marta, mesmo àqueles profissionais, é de que o oceano sul é algo por demais perigoso e uma embarcação de cruzeiro teria de estar muito bem equipada e com tripulação muito treinada.

Estávamos, então, em maus lençóis. A embarcação era por demais robusta, de tamanho e porte elegante e forte, mas não tinha todos aqueles equipamentos recomendados. Aliás, confesso, eu não julgava serem assim tão necessários. Se muito já não havia navegado em todo tipo de condição no comando de uma embarcação, já o havia feito na companhia de muitos experientes comandantes. Para falar em alguns, os melhores, cito Joshua Slocum, Aleixo Belov, Roberto Barros, Knox Johnston, John Wray, para não estender a lista.

Assim, voltando à equipagem do barco e à fala de quem ficaria em terra, com uma pontinha de boa inveja talvez, o barco não dispunha nada mais do que uma boa bússola, um eco-batímetro – que nos indica a profundidade, cartas náuticas da região a ser navegada, um rádio a pilha daqueles antigos e um motor que funcionava muito bem depois de ligado. Sim, pois as baterias sempre eram uma surpresa e, para desespero de quem conheceu os antigos motores que tinham recursos para serem acionados com uma simples manivela, depender de baterias em momentos derradeiros, era algo desesperador.

E a tripulação era composta por dois exímios velejadores de regatas e eu, comandante do navio, com toda a experiência já citada. Cabe salientar, talvez, que as viagens sob o comando dos experientes comandantes acima, eu as fiz no conforto de uma cama quentinha, com uma xícara de café ao lado, deleitando-me nas páginas dos eternos portadores de sonhos, aventuras, esperanças: os livros.

Mas insisto, tal experiência quando havida como eu as fiz e ainda faço, dá a experiência e conhecimentos necessários. Tanto que o resultado da viagem… Buenas, vamos seguir a ordem cronológica.

Voltemos então à narrativa, deixando tais questões sobre experiência anterior para os momentos de busca de emprego e coisa e tal. Afirmo que meu navio estava devidamente equipado, preparado e com uma tripulação de alto gabarito para a viagem proposta. Até porque, tal percurso, não é lá essas coisas, nada assim tão assustador.

Partimos do atracadouro onde o navio descansava após a reforma e manutenção numa manhã de sol, dia de semana, poucas pessoas no clube para acompanhar, desejar sucesso ou agourar. Nosso rumo era claro e o trajeto até a saída do Guaíba o pátio de casa.

Vento sul, o que desagradava, com intensidade algo além do que seria recomendada. Após a euforia da saída, rumo a Florianópolis, onde o barco ficaria um a dois anos navegando por águas azuis, começamos as arrumações de bordo. As atividades num veleiro são contínuas no sentido de estarmos sempre atentos às condições climáticas. Tudo tem de estar devidamente afixado, amarrado, para que nenhuma surpresa ocorra.

Assim amarramos o bote na proa cuidando para que não atrapalhasse as manobras das velas de estai. Reorganizamos os armários, verificamos a situação do motor, mais uma revisada nas tubulações de óleo diesel e água de refrigeração. Amarramos a porta do frigobar, pois o gancho que deveria mantê-la fechada não estava cumprindo seu papel. Isso pronto, velas reguladas, motor ligado escorando a navegada, seguimos nosso rumo, passando o limite do rio e entrando na Lagoa ainda no início da tarde.

Lagoa encrespada, ondulações pela proa, num tom barrento muito do feio. Era este nosso mar, o chamado Mar de Dentro. A tarde transcorreu tranqüila. Fizéramos um lanche no almoço e agora era hora de pensar em abastecer os porões. Éramos três navegantes famintos. Claro que o resultado na cozinha foi ótimo. A fome é o melhor tempero para o cozinheiro. Imaginem numa condição de barco inclinado e balançando bastante. O que saísse da panela seria um manjar inigualável naquela hora.

Passamos a noite com o mar contra, barco mantendo uma boa navegada, rumo certeiro, tudo tranqüilo. Chegamos ao portão do canal da Feitoria ainda noite, esperamos que o dia se mostrasse para entrarmos no canal. Naquela época ainda tínhamos o chamado paliteiro. Eram estacas, uma infinidade delas, colocadas por todo lado para colocarem-se nelas as redes de pesca ou armadilhas para camarão. Tudo de bom para os pescadores. Para a navegação, um simples descuido, naufrágio consumado.

E não havia muito respeito em relação aos alinhamentos do canal. Algumas estacas, embora os donos afirmassem que não as haviam colocado no canal, pareciam que cismavam em fugir para dentro de seus limites.

Entramos no canal já com a luz do dia chegando. Alguma nebulosidade ao amanhecer, mas logo o sol começou a se mostrar em todo seu esplendor. Fizemos o rumo do canal muito lentamente, esperamos por duas vezes que navios de maior porte passassem e depois seguíamos nosso rumo. Em algumas situações víamos ao lado do barco, restos de estacas quebradas na linha d`água, pronta a causar o fim de qualquer viagem.

Avistamos Rio Grande ainda cedo, mas chegamos lá ao final do dia. Cansados pela tensão da última parte da rota, pela noite de sono não dormida ou mal dormida. Afinal a primeira noite a bordo, gera uma série de expectativas. Deixa-nos a todos ligados e não conseguimos pregar os olhos de forma condizente. Isto foi bom, pois a noite passada no Iate Clube de Rio Grande foi de descanso.

Para nosso desagrado, o vento não estava firme e, como nossa saída ao mar recomendava um vento do quadrante sul de pelo menos dois dias de duração, resolvemos esperar que ele viesse. As previsões davam-nos conta de dois a três dias de espera, que acabou em mais de semana.

DICAS DO VIAGEIRO: Há empresas que fazem passeios por recantos da Lagoa dos Patos partindo de Tapes, de Pelotas ou de Itapoã em Viamão. Normalmente estes roteiros só funcionam no verão.

Rio Guaíba: A vida em um veleiro

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Muito diverso de outros tipos de viagens, um veleiro nos proporciona um mundo de emoções e atividades diferentes das experimentadas em outros tipos de viagens. Temos toda uma atividade necessária no manejo da embarcação, o contato com os elementos, aproveitamento do melhor combustível – o vento. E a possibilidade de outras atividades não permitidas em outros meios de transporte.

Sempre costumei dizer que em diversos meios de transporte, e falava isto comparando principalmente com os deslocamentos em lanchas, aviões e ônibus, temos nosso lugar de saída e o destino. Aí é que teremos nosso lazer.

Em um veleiro o conceito é bem outro. A própria viagem, o deslocamento, são parte do lazer e, talvez, o mais importante. Não raro saímos em uma navegada sem um destino certo, apenas navegar, sentir o vento, o balanço das ondas, o tempo livre. Neste percurso, conforme a embarcação, podemos preparar uma refeição, almoçar, bebericar algo antes e após, pescar, fotografar e, até mesmo, nadar em volta do barco. O destino não importa. O que se curte é o percurso.
E isto se dá também pelo tempo envolvido. Fazemos uma viagem rodoviária de Rio Grande a Florianópolis, pra modo de comparação, em cerca de dez horas, mais ou menos. De veleiro este tempo muda para 60 horas ou mais. Isto mesmo! Isto quer dizer dois dias e meio. Serão duas noites curtindo as estrelas, a lua, observando a via Láctea. Dois dias pescando, preparando o peixe para o almoço ou jantar, vendo as evoluções dos golfinhos, gaivotas, enfim, dois dias e meio. Buenas, e pode ser até mais, dependendo da vontade de Netuno.

Assim, para bem entender, estas razões é que me levam a dizer que uma viagem de veleiro é um mundo à parte, nada de pressa, velocidade, parada para almoço e outras coisas. Durante todo o tempo aproveitamos a viagem.

E eu tive o privilégio de fazer isto ao longo de pouco mais de cinco anos, tempo durante o qual eu morei a bordo de meu barco. Vivia no Rio Guaíba, este era meu pátio, com imensas extensões mundo afora, mantendo-se o meio líquido.

Para melhor entendimento dos leitores, viver no Guaíba e num barco significa dizer que, sempre que possível, as amarras eram soltas e o barco partia para outras paragens. Assim navegamos pelo Guaíba, pelo Delta do Jacuí, que lhe dá forma, e pela Lagoa dos Patos.

A navegada ao longo do Delta e do próprio Rio Jacuí, feita quase sempre a motor, é uma experiência bastante diferente para quem está acostumado a uma cidade do porte de Porto Alegre. Navegamos rio acima, ainda no Guaíba, adentramos por meio às ilhas do estuário e a seguir nos deparamos num mundo de aves, mata nativa e silêncio que torna difícil crer que estamos a dez minutos da cidade.

O Delta é formado por diversas ilhas com uma boa quantidade de pequenos canais que as separam, por onde se pode navegar, pescar, passar a noite. Assim, final de sexta feira, amarras soltas, pouco mais de uma hora subindo o Guaíba adentrávamos o estuário. Isto era como que mudar de referência, de mundo. Outra paisagem, sem concreto, carros, barulhos.

Outra opção de navegada, agora à vela aproveitando totalmente a natureza, era descer o Rio navegando em direção ao Sul. O Guaíba surpreende a muitos por suas dimensões, o que inclusive motiva sua nova denominação como Lago. Apenas velejar em suas águas, entre as margens da cidade de Guaíba, bairro de Ipanema e a Ponta Grossa, já é algo muito gratificante.

Não dá para deixar de observar a Ilha do Presídio ao lado do canal de navegação principal e mais para as proximidades dos lados da cidade de Guaíba. O local, muito embora guarde lembranças ruins das épocas em que lá funcionava o presídio, é muito bonito e oferece uma visão muito interessante tanto de Porto Alegre como de Guaíba. Do alto de suas rochas temos uma boa visão de quase todo o Rio. A chegada à ilha se dá pela margem oeste, em dias que não haja vento ou que este seja do leste, aproximando-se lentamente das pedras. Um pequeno cais ainda oferece alguma possibilidade de segurança para o desembarque.

Esta ilha, chamada de Ilha das Pedras Brancas guarda histórias sobre o início da Revolução Farroupilha quando teriam os revolucionários vindo da Vila das Pedras Brancas, hoje cidade de Guaíba, passado pela ilha, para depois vir combater os soldados do governo na batalha da Ponte da Azenha.

Passando a Ponta Grossa para o sul, temos na margem direita o arroio Araçá, local aprazível, entrada um pouco difícil para barcos de maior calado, mas que algum sacrifício, por vezes necessário, era totalmente recompensado. Parar às margens do arroio e passar a noite acampado, barco amarrado a uma árvore, carne na churrasqueira improvisada, luz do fogo e da lua, é tudo de muito bom.

Na margem esquerda do Guaíba, pouco mais ao Sul, temos a Ilha Francisco Manoel, carinhosamente conhecida como a Chico, administrada e preservada pelo clube Veleiros do Sul, que lá mantém uma sede para os sócios e um bom trapiche para atracação. Sempre fomos muito bem recebidos na ilha, quer pelo zelador, pelos sócios e pela própria natureza.

Mais ao sul encontramos a Vila de Itapuã, às margens do Guaíba e do arroio de mesmo nome, onde foi construída uma marina para atracação e proteção aos navegadores. Muitas excursões foram feitas até a Vila de Itapuã, com a diferença em relação às outras opções anteriores, de termos a estrutura de uma Vila organizada com bares, restaurantes e amigos que lá residem.

Partindo da Vila para o sul, costeando as margens do Rio, passamos entre o morro da Fortaleza e a ilha do Junco. Local muito bonito, canal estreito e com profundidades que passam de 50 metros. Na costa da ilha, em épocas de seca com água muito baixa no Rio, contam já terem sido avistados restos de embarcações como as utilizadas na época dos Farrapos, idos de mil oitocentos e poucos.

Ainda mais para o sul, divisa com a Lagoa dos Patos, temos à margem esquerda as praias da Pedreira, do Araçá e do Sítio, local de muitas visitas feitas. Ancorar às margens, ao abrigo da pequena baía para ventos de Norte e Leste, proporciona a ida à terra onde podíamos fazer incursões pelos morros e florestas. Hoje o local é uma reserva e não se pode mais fazer visitas como na ocasião.

Na margem oposta, frente a esta baía e já penetrando nas águas da Lagoa, temos a Ilhota da Ponta Escura. Local para pouco calado, em que muitos barcos têm dificuldades de aproximação. Minha embarcação ficava ao largo, enquanto íamos de bote até a ilha para observar a natureza, fauna e flora.

Voltando à margem esquerda, no limite com a Lagoa dos Patos, temos o guardião dos navegadores que se aventuram por estas águas: o Farol de Itapuã. Foi construído em 1860 e funciona hoje automatizado o que dispensa a figura do faroleiro. A área circundante, pertencente à Reserva Estadual de Itapuã, preserva uma vegetação nativa exuberante e elevações rochosas. Nas margens que lhe seguem, entrando para o lado da Lagoa dos Patos, temos a Praia do Tigre, pequena e protegida entre rochas, e na seqüência a Praia de Fora, local com muitas construções irregulares e ocupação ilegal.

O Guaíba, nosso Rio, agora chamado de Lago, com certeza guarda muitos outros encantos. Alguns que ainda tenho de descobrir; outros eu vi e não relatei por simples inadequação. Por vezes as palavras são muito limitadoras e não nos permitem expressar o que vemos. Ou simplesmente não temos o que expressar, pois há coisas que só valem para quem vê e vivencia. Até a próxima viagem!

DICAS DO VIAGEIRO: Faça um passeio pelo Rio Guaíba, com barcos que partem do Cais do Porto ou junto à Usina do Gasômetro, e pela cidade no ônibus de turismo que parte também de junto da Usina

Travessia Rio Grande a Florianópolis

Travessia Rio Grande a Florianópolis num veleiro

por Roberto Lima

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Um tripulante teve de desistir da ida até Florianópolis, pois sua licença iria expirar antes de nosso vento chegar. Fomos a Porto Alegre e arrecadamos um novo navegador, algo menos experiente um pouco, mas grande companheiro. Se o enjôo lhe acompanhou em todo o percurso fazendo-o ficar quase todo o tempo na horizontal num beliche, ao menos mantinha sempre o bom humor, o riso fácil e agüentou bravamente as chacotas que fizemos durante toda a viagem.

Semana seguinte chegamos ao nosso navio novamente. Revisão, abastecimento de suprimentos no mercado, refrigerador cheio, revisão de velas, motor, tanques. Tudo certo. Saímos numa terça feira quase meio dia. Paramos numa empresa pesqueira e enchemos o porão de gelo. Assim como se fôssemos um pesqueiro que vai à pesca trocar o gelo por pescados. No nosso caso, tínhamos um calor muito forte do lado de fora, uma viagem incerta em duração pela frente – coisa de dois a quatro dias, comidas que necessitavam de refrigeração e, com certeza, algumas caixas de cerveja que deveriam ser mantidas prontas para o uso. Como sempre me repetiu minha mãe, quem vai ao mar se avia em terra. Sábias palavras.

Ao final da tarde, caminho da barra, não fizemos as burocracias que manda o figurino, mas fomos ao mar mesmo assim. Tivemos a grata companhia na saída de uma grande embarcação da Marinha do Brasil que, soubemos depois, se dirigia ao Rio de Janeiro.

Sair na barra sem os devidos trâmites ao lado de uma Corveta não é algo assim agradável. Contemos ainda com a angústia de uma primeira ida ao mar no comando da minha embarcação, toda a responsabilidade que isto importa, imaginem o embrulho no estômago. Mas desgraça pouca é bobagem. Ao sair na barra ouvimos algo diferente no porão. Um ruído estranho vindo da região do motor. Meu Deus, e agora?

Nosso faz tudo, foi em busca do motivo de tal som e veio com uma bela notícia. Um calço do motor havia partido. O motor passara a funcionar fora do alinhamento. E agora? Voltar? E o mico? Mico nenhum é claro, mas e o orgulho de voltar após tantos preparativos?

Qual o risco, perguntei. Vai fazer água! Isso significa que entraria água no barco. Vamos aqui definir o que de melhor ouvi sobre um barco: é uma casca de nós ou algo assim, que tem um leme, um motor ou velas e que só tem significado quando se acrescenta água. Mas devo salientar é que a água deve ficar do lado de fora. Não seria este nosso caso, a teríamos do lado de dentro também.

Avaliamos as condições de baterias e bombas e concluímos que tínhamos mais capacidade de expulsar a água do que ela de entrar. Decisão: vamos em frente! Festa a bordo, uma cervejinha para comemorar e nos fizemos ao mar, definitivamente.

No início da noite estávamos a milhas de Rio Grande. Víamos apenas as luzes. Tudo novo. O embrulho no estômago se mexia de lado a lado, nosso tripulante mais novo foi ao berço. Deu sinais de enjôo. Tudo corria bem, água entrando, mais rápido saía, tudo certo.

Navegamos a noite e o dia seguinte a motor, vento quase a zero. Estávamos num veleiro e queríamos velejar, antes de qualquer outra coisa. Mas afinal, tínhamos combustível suficiente, então isto não seria um problema. Seguimos junto à costa e perdemos contato com a Corveta. Jogamos linhas à água e pescamos algo para o jantar e almoço do dia seguinte. Nosso tripulante ainda estava de enjôo e isto diminuía a necessidade de alimentos.

Tempo tranqüilo, sol quente, apenas uma brisa suave, mas que parou ao final da tarde do segundo dia. Algum tempo mais e entrou um vento do quadrante Norte, tudo que poderia ser inesperado e indesejado. Algumas horas mais e o vento refrescou, ou seja, aumentou de intensidade. O mar começou a levantar ondas e ficou desagradável. Mar e vento contra. Nada forte, mas contra!

Colocamos, por segurança, rumo à África e escoramos a navegada na vela e motor. Isto faria com que fôssemos para frente em nosso destino com uma boa velocidade. Passamos a noite muito molhados, a onda jogava borrifos por sobre o barco e molhava toda a coberta. Dormimos no convés para podermos vigiar navios e as condições de tempo. Se algo piorasse teríamos de tomar decisões a respeito das velas e rumo.

Ao amanhecer, longe estávamos da costa a qual não era mais avistada. Tomamos um café para aquecer os ossos e o cérebro. Roupa trocada, agora secos, decidi colocar o barco no rumo da costa e, tanto quanto possível, para o Norte. Pareceu mágica, manobra de mudança de rumo feita, o vento parou de vez! Ficou somente a onda.
Fiz os cálculos de posição e colocamos o barco no rumo do Farol de Santa Marta. Navegamos o dia tranqüilos e avistamos o Farol próximo do meio dia. Muito ao longe. Novas linhas n`água, peixes para o almoço. Avistamos um outro veleiro seguinte na mesma rota e tentamos contato pelo rádio. Só para um alô, mas nada conseguimos. Algo frustrante. Avistar outro barco numa navegada deste tipo, embora com pouco tempo no mar, leva-nos a querer dar um alô, um cumprimento.

Lembrei de uma fala: “Houve tempo em que dois navios que se encontrassem no mar baixavam o pano e batiam um papo; depois, no momento de seguir seus rumos diferentes, saudavam-se com um tiro de canhão. Hoje em dia as pessoas mal têm tempo de conversar, mesmo que seja no meio do mar, onde qualquer notícia é novidade. Acabou-se a poesia dos velhos cargueiros; é uma vida prosaica esta em que não se tem mais tempo de dar um bom-dia àqueles que passam por nós!” Isto fora constatado e dito por Slocum, lá pra setembro de 1892, mas ainda frustra.

Meio da tarde começou uma formação muito escura no quadrante Sul. Um bom vento destes lados é o que queríamos desde a saída, mas agora ele nos colocaria na barra Sul da ilha de Santa Catarina, Florianópolis, já noite feita. Isto seria muito impróprio. Como estávamos navegando sem pressa alguma, sem horários, tempo de chegada e tal, resolvi colocar o barco em Laguna para uma visita à cidade. Muito bom seria se chegássemos antes do vento à barra.

Continuamos nossa navegada agora com mais motor. Controlamos a intensidade do vento que chegava para ver as nossas condições de acesso à barra de Laguna. Quando estávamos frente a ela, decidi entrar e manobrei em sua direção. Fiz rumo da praia, passando pela entrada da barra que ficou por bombordo. Cerca de 300 metros após, manobramos o barco e viemos protegidos pelos molhes em direção à boca da barra. A entrada em Laguna não é muito segura para nosso tipo de embarcação, ainda mais com a onda começando a subir e o vento ficando mais forte.

Vim esgueirando o barco, protegendo-o das ondas que vinham de sul, numa distância segura dos molhes onde uma platéia se formou para ver nosso sucesso. Penso, ao menos, que esta era a torcida. Ao chegar frente à barra, dei o tempo de passar uma crista de onda que já estava muito alta e, literalmente, joguei o barco para dentro dando todo o motor. Foi o tempo certo. Nova onda vinha quebrando por fora do molhe sul e nos pegaria de mau jeito se a manobra não tivesse sido rápida. Mais uma das que aprendi com os grandes capitães, naqueles livros de cabeceira.

Seguimos até o Iate Clube, ótima recepção e acolhida. Tivemos apoio para reabastecer os tanques de diesel, passamos uma noite muito boa, bem abrigados, fora da barra o vento roncou forte até a madrugada. No meio da manhã, após esperarmos que as ondas baixassem, seguimos para a barra. Para nossa surpresa elas ainda estavam muito altas. Pudemos avaliar a intensidade do vento que havia passado para deixar aquele tamanho de mar.

Mesmo assim, fizemos toda uma manobra cuidadosa controlando o tempo das ondas, com um de nossos marinheiros – ex-surfista, subindo ao mastro para controlar o ritmo e tempo da série, como ele disse. Do convés, naquela situação, não víamos o mar devido à altura do molhe sul. Mar avaliado, tempo medido entre as ondas, recebi o aviso de ir em frente pois este era o tempo necessário para chegarmos na saída da barra no momento certo. Acelerei o motor, o barco iniciou seu deslocamento, a velocidade se firmou e veio o grito de retroceder. Vinha uma onda entrando e nos pegaria de mau jeito.

Nestes momentos tudo passa muito rápido por nossa mente. Uma infinidade de informações, conhecimentos prévios, imagens, passam como se fossem um raio riscando o céu. Voltar seria impossível. Havia muita correnteza, a maré estava vazante, as águas da lagoa faziam um movimento nada agradável para saírem da barra. Dar ré naquela situação deixaria o barco à mercê das correntes que o levariam contra os molhes. Não havia, também, espaço para dar a volta de 360 graus, pois a barra é muito estreita para o tamanho e raio de manobra necessários para meu navio.

Olhei para o mastro e vi meu marinheiro apavorado, coisa que também pude ver no semblante do outro no convés. Imagino que minha cara tenha ficado da mesma forma. Lembrei da saída de Rio Grande, calço do motor quebrado, motor desalinhado, água entrando, muita água agora. Que fazer? Lembrei de algo que li uma vez: “se não dá para orçar, arriba!” Não era o caso, mas se parecia muito. Ou seja, se não podia voltar, acelera e vai!

Foi o que fiz, chamei meu tripulante para o convés por segurança e enfiei mais ainda a mão no manete do motor dando mais aceleração e aumentando, se não a velocidade do barco, pelo menos sua capacidade de galgar a maldita onda. Fomos saindo lentamente da barra, parecia câmera lenta, me sentia assim. Na verdade tão rápido quanto possível, mas aquilo parecia uma eternidade. Avaliei que tanto mais demorasse melhor, daria mais tempo para eu ver a tal onda e tentar alguma manobra. Como se o tempo pudesse aumentar por parecer lento. Ou será que pode?

Fui avistando a tal onda fora da barra, ela vinha numa forma e tempo que me dava má impressão. Poderia passar sobre o convés. Segurem firme! Gritei. O navio avançava e a onda também, antecedendo algo como se fosse um choque. Parecia-nos dura como pedra e, por algum momento, como se o barco não fosse subir junto com ela. Tinha altura e muita potência. Nos olhamos novamente, não vi temor, mas muita apreensão.

A massa d’água começou a se chocar contra o molhe sul passando espuma por sobre ele e o barco foi saindo da barra, faltavam poucos metros agora, pouco tempo. Avaliei novamente e vi que nosso único perigo parecia o de ser arremessado sobre o molhe Norte. O que seria uma catástrofe. Uma viagem daquelas, minha primeira no comando de um navio, meu navio! Não era justo.

Pude avaliar mais uma vez a situação, dei mais manete para ter mais potência ainda, passávamos o alinhamento do molhe sul, estávamos com ela a nosso lado, mas com espaço para manobrar. Virei o leme rápido para iniciar a subida de sua crista. O barco atendeu com sua lentidão característica. Navio de quilha longa, muito bom de curso, lento de manobras.

Fomos subindo, parecia que não venceríamos, o motor foi cedendo à potência da onda deixando o barco perder velocidade. Virei novamente o leme de forma mais lenta e no sentido oposto para poder descer a onda sem cravar a proa na cava da próxima, o que seria muito ruim. Parece-me que fomos ganhando alguma velocidade e sobrevida. O barco foi subindo mais, agora ao longo da onda, até atingir seu cume. Ela quebrou no costado. Foi um impacto e tanto. O barco todo estremeceu e a espuma passou sobre o convés trazendo consigo muita água.

Alguns instantes mais e iniciamos a descida de forma espetacular. O alinhamento colocado fez com que descêssemos uma ladeira de forma suave. O motor deu velocidade novamente ao barco, fomos suavemente ao fundo do poço entre a onda que passou e a próxima e a encontramos de forma esplendorosa. Galgamos esta segunda e, com muito alívio, vimos que havia passado o perigo. Ufa! Só alguma água no convés (talvez também alguma calça cheia).

Daí em diante nosso dia foi tranqüilo, avaliar, rir um pouco, fazer mais chacotas agora, porém, do surfista. Buenas, estava enferrujado o rapaz, afinal era um ex-surfista. Registrar na memória o aprendizado, muito importante!

Navegamos pela baía Sul da Ilha de Santa Catarina de forma lenta, pois todo o cenário era novo e queríamos apreciá-lo o mais possível. Chegamos ao Iate Clube de Santa Catarina, em Florianópolis, no meio da tarde. Ótima recepção!

Daí em diante foram dois anos nesse ambiente. Céu azul, mar calmo, passeios, pescarias, tempestades, mais céu azul. E assim segue o ciclo do tempo.
Até a próxima viagem!

DICAS DO VIAGEIRO: Tanto o Iate Clube de Laguna como o de Florianópolis tem estruturas para receber o navegador. Se necessitar de algum reparo na embarcação, o Iate Clube de Florianópolis, Veleiros da Ilha, dispõe de guincho de porte.

Pousadas

Em nosso idioma, o português falado no Brasil, a palavra Pousada nos remete para uma idéia de parada, pausa, repouso e aconchego. A idéia de uma Pousada é oferecer este aconchego tornando o hóspede quase um familiar, como se este em sua casa estivesse, sem as obrigações de tal situação: atender o telefone, receber visitas, preparar refeições, etc. Somente lhe cabendo o repouso.

Durante algum tempo, a palavra Pousada, segundo a Embratur, somente poderia ser aplicada para designar estabelecimentos de hospedagem que estivessem localizados em prédios históricos. Como o uso da palavra passou a integrar o nome de alguns estabelecimentos, esta norma se perdeu em sua intenção e eficácia.

Em alguns destes estabelecimentos, as pousadas, encontramos um ambiente caracterizado por temas a escolha de seus proprietários: arte local, arquitetura típica, cultura de origem, artesanato, esculturas, gastronomia, música, de maneira a despertar os sentidos de prazer, de sair do comum, de viajar dentro da viagem.

Cada Pousada, independente de sua localização, tem a oferecer um aspecto diferente e diferenciado para seus hóspedes, quer na forma de tratamento, quer nas características de suas ofertas. Bem receber e bem servir são prerrogativas de todo meio de hospedagem, mas nas pousadas isto se faz de forma mais intimista, menos formal, mais amigável, bem diferente do que é característico dos hotéis.

Busque seu destino preferido, seja praia, montanha, serra, planalto, canions, campanha, rios e lagoas, e busque a Pousada que melhor vai poder lhe aconchegar em sua estada, proporcionando-lhe todo o suporte para seu descanso.

E há algo de inusitado num bom serviço de uma Pousada que a faz merecer este nominativo: Segundo Antonio Ferro, 1942: Quando um hóspede deixar de ser tratado pelo nome para ser conhecido pelo número de quarto que ocupa, estaremos completamente desviados do espírito das Pousadas.

A melhor idéia de sua estada em uma Pousada, a certeza de que valeu a pena, é Você ter saudades mesmo antes de partir. E somente então tal estabelecimento pode ser grafado como Pousada, com maiúscula.

Leia também: Hotéis e Pousadas que encantam

Fotos: Roberto Lima
Local: Pousada Rural Mundo Antigo – Pomerode

Hotéis e pousadas que encantam

O que faz de um Hotel ou Pousada um meio de hospedagem que se destaca dentre os demais? O luxo das instalações? Os equipamentos diferenciados? O charme tão em voga?

Estudando sobre Qualidade em Serviços certa vez, li sobre os serviços da Disney. Tudo novo a todo novo dia! Exagero? Se virmos o descaso de alguns meios de hospedagem até que a “temporada” chegue. Se Você se hospedar logo antes da temporada, poderá pensar o quanto valeria o conceitro da Disney.

Pois lendo a matéria do André D’Angelo na Revista Amanhã, resolvi reportar aqui o link para tal matéria. Vale para hóspedes e para os donos de estabelecimentos de hospedagem. Cita ele as palavras de Peter Mayle sobre o Connaught, tradicional hotel londrino inaugurado em 1897: “Deixando de lado a excelente cozinha e o conforto do hotel, a grande atração do Connaught, aquilo que o diferencia de outros hotéis caros, é a atmosfera criada pelas pessoas que trabalham lá. Todas, sem exceção, eram bem-educadas, encantadoras e extremamente competentes. Encontrar pessoas assim, treiná-las e mantê-las custa muito mais do que qualquer outro luxo mais superficial. Nem todos os saguões de mármore do mundo podem competir com seres humanos amáveis, ansiosos por agradá-lo.”

Mas, mais interessante ainda, são suas palavras sobre o Copacabana Palace e sobre o que de fato encanta o hóspede.

Leia o original aqui.

E este escrito tem a ver também com a matéria deste site sobre Pousadas.

Passo da Ilha

Passo da Ilha, um lugar de sossego, descanso, recarga de energias.

A história desta viagem ao Passo da Ilha se passou durante um fim de semana de outono.

Fomos em um pequeno grupo aproveitar o sossego que o local proporciona, não sem lembrar das belezas naturais.

O Passo da Ilha fica na divisa dos municípios de São Francisco de Paula e Cambará do Sul. É um local para quem gosta de acampar e vivenciar a natureza.

O Passo da Ilha é formado pelo Rio Tainhas e tem acesso pela RS-020. É necessário atravessar o Rio Tainhas para chegar até a ilha. No entanto esta travessia pode ser feita de carro em função do baixo nível da água. Apresenta boa infra-estrutura para camping, com energia elétrica e mini-mercado.

Para quem não quer acampar, o local também vale como destino de passeio de um dia para um piquenique, um churrasquinho, etc.

Conheça mais da Região lendo outras viagens:

Cambará do Sul – Itaimbezinho e Fortaleza

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DICAS DO VIAGEIRO: Leve sempre roupa quente, mesmo no verão. Barraca para condições severas de frio e chuva (que podem ocorrer), cobertores ou um bom saco de dormir.

COMO CHEGAR:  Chega-se desde Cambará do Sul ou de São Francisco de Paula.

Leia mais: Cambará do Sul, São Francisco de Paula.

Onde Ficar:
Hotéis e Pousadas em Cambará do Sul
Hotéis e Pousadas em São Francisco de Paula

Ateliê Anelise Bredow

Arte Cerâmica e Móveis de Demolição

História da Artista Plástica Anelise Bredow

Anelise Bredow, artista plástica formada pela Universidade Federal de Santa Maria, trouxe para Morro Reuter uma nova forma de ver e fazer arte.

Desempenhou por cinco anos a atividade de Designer Cerâmico na empresa Eliane de Criciúma/SC, onde esteve em contato com o desenvolvimento de novos produtos, tanto na área técnica como na estética, em que participou ativamente de pesquisas de tendências.

Tendo escolhido a arte como meio de expressão e Morro Reuter como local para viver e criar, Anelise instalou-se em Janeiro de 2006 em um belo Ateliê às margens da BR116, Km 217, onde produz cerâmica artesanal.

Utilizando pigmentos naturais para dar cor e vida aos objetos que cria, explora a plasticidade do material através do uso de grafismos e texturas.

Ateliê Anelise Bredow

Ateliê Anelise Bredow

Um novo lugar

Num belo lugar

Uma nova forma de ver

Arte, Design, Tendência, Criação.

Cerâmica, móveis de demolição, artesanato.

Um novo lugar

Que espera Você!

Arte em cerâmica

Arte de Anelise Bredow

BR116, Km 217

Morro Reuter/ RS

Rota Romântica

Anelise Bredow

morro-reuter-anelise

Conheça mais a arte de Anelise Bredow

Atrativos Turísticos de Camboriú

Turismo ecológico e rural

A topografia do município, rica em formações rochosas, rios, cachoeiras e cascatas, faz de Camboriú uma boa opção para o turismo ecológico.

Existem vários hotéis fazenda na região.

Destaques naturais para o Bico da Pedra, a Cachoeira Seca, o Salto dos Pilões, a Cachoeira Tereré e o rio Forquilhinha.


Camboriú

Formações rochosas, rios, cachoeiras e cascatas de água cristalina fazem de Camboriú uma boa opção para o turismo ecológico e rural.

Cidade fundada em abril de 1884, tem no extrativismo de granito, agricultura, turismo e comércio suas fontes de renda.

Camboriú é a cidade mãe de Balneário Camboriú, situada em território que antes lhe pertencia. O crescimento do Balneário e a vocação para a atividade de turismo, desmembraram as duas cidades.

Camboriú tem hoje próximo de 39 mil habitantes com base Açoriana. Está no Litoral Norte, a 8 m do nível do mar e a 65km de Florianópolis.

As cidades de seu entorno são: Balneário Camboriú, Itajaí, Itapema, Florianópolis, Blumenau, Porto Belo e Navegantes.

A história de Camboriú inicia em 1758 quando colonizadores açorianos, vindo de Porto Belo, decidiram parar na região de Camboriú, iniciando o povoamento da cidade. Subiram pelo rio Camboriú em busca de terras férteis para a agricultura e, com o tempo, descobriram outras riquezas na região, como a extração de granito e a pesca.

A melhor infra-estrutura hoteleira de Camboriú está nos seus hotéis fazenda, que oferecem também turismo ecológico e de aventura.

Garuva

Um colonizador francês planejava a implantação de uma comunidade baseada no socialismo utópico na área do município que foi fundado (emancipado) em 20 de setembro de 1973.

POssui em seu calendário trës festas: em Junho (Festa do Padroeiro), em julho (Festa do Colono) e em outubro (Festa da Banana).

Com 11.378 habitantes de origens francesa e portuguesa, tem an agricultura sua base econômica.

Está na região Nordeste do Estado de Santa Catarina, na microrregião de Joinville, a 226km de Florianópolis e nas proximidades de Itapoá, Joinville e São Francisco do Sul.

A primeira tentativa de implantar o município de Garuva aconteceu em 1841, com o colonizador francês Benoit Jules de Mure. Ele inspirou-se num projeto do filósofo francês Charles Fourier e planejava a implantação de uma comunidade baseada no socialismo utópico. As propostas revolucionárias foram postas em prática em duas léguas de terra da antiga Península do Saí, às margens da baía de São Francisco. A estrutura baseava-se em uma colônia de produção e consumo, mas o sistema não deu certo. A iniciativa de colonizar a região, contudo, originou o povoado de São João do Palmital, ligado a São Francisco do Sul. O desenvolvimento arrastou-se por décadas. A maioria dos moradores da colônia seguiu para o norte do Estado à procura de trabalho e, próximo a BR-101, formou outra comunidade, onde hoje fica a sede do município. Somente a partir de 1914, com a chegada dos portugueses Cândido da Veiga e Tolentino Salvador, a localidade progrediu com mais rapidez. O movimento popular pela emancipação do distrito começou em 1963 e culminou em 29 de fevereiro de 1964, quando Garuva foi desmembrada de São Francisco do Sul, tornando-se município autônomo.

Itapoá

Com as águas mais quentes do sul do Brasil, Itapoá oferece 100% de balneabilidade durante o ano todo.

Cidade fundada em 26 de abril de 1989, 12.500 habitantes com origens francesa e portuguesa, clima temperado úmido com variações entre 18 e 30ºC, tem no turismo sua principal fonte econômica, seguido da pesca e da agricultura.

Localizada a 80km de Joinville e 260km de Florianópolis, fica nas proximidades de Garuva e São Francisco do Sul.

Os índios Carijó, que habitavam a região, deixaram registros em diversos sambaquis espalhados por Itapoá: na Estrada do Sol, ao longo das margens dos rios Saí-Mirim e Saí-Guaçu, na entrada da cidade. O município, que pertenceu a São Francisco do Sul e a Garuva, tornou-se independente em 1989.

Navegantes

Totalmente voltada para o mar, a cidade de Navegantes é sede de uma das maiores festas do Estado: a de Nossa Senhora dos Navegantes, padroeira dos pescadores do sul do Brasil.

Cidade fundada em 26 de agosto de 1962 tem sua base econômica no mar, com destaque para as várias indústrias de pescado. Navegantes é o terceiro maior centro pesqueiro da América Latina, o primeiro do País e sedia a maior empresa brasileira de pescado, a FEMEPE. O município conta com 40 estaleiros grandes e pequenos e já foi o segundo maior parque de construção naval do Brasil.

Hoje com 40 mil habitantes de origem açoriana, está a 92 Km de Florianóplis e próximo de Itajaí, Balneário Camboriú, Penha, Itapema.

O clima predominante é o temperado, com estações bem definidas. A temperatura média é de 20ºC.

Em 1700, viviam na margem norte do Rio Itajaí-Açu e ao longo das praias, no atual território de Navegantes, mais de 40 famílias de pescadores e agricultores de origem açoriana. O primeiro morador teria sido João Dias D`Arzão, chegado de São Francisco do Sul em busca de minerais preciosos. A cidade fez parte de Itajaí por muitos anos, tornando-se independente em maio de 1962. Navegantes é mais conhecida por seu aeroporto, o segundo maior do Estado, de onde decolam mais de 20 vôos diários, possibilitando conexões para todo o País e o Exterior.

Hotéis e Pousadas em Penha

Pousada Vila D’Itália
Ela é uma vila, casa grande rodeada de árvores e varandas em clima de
tranqüilidade e discrição.
É uma pousada e hospeda visitantes de bom gosto que vêm para as lindas praias da Penha.
Rua 3.350 – Luiz Vicente da Silva, nº 183
Praia da Armação
Fone: 47 3345 9873
E-mail: pousadaviladitalia@pousadaviladitalia.com.br
http://www.pousadaviladitalia.com.br

Hotel Mirante do Bosque
Harmonia perfeita entre vista panorâmica, natureza, conforto e muito bem-estar.
Fone: 47 3345 0410
E-mail: hotel@mirantedobosque.com.br
http://www.mirantedobosque.com.br

Hotel Pousada Jardim das Flores
Fone: 47 3319 8929
E-mail: reservas@pousadajardimdasflores.tur.br
http://www.pousadajardimdasflores.tur.br

Pousada Pé na Areia
Fone: 047 3345 5201
E-mail: pousada_penaareia@hotmail.com

Penha

Penha

Penha

Penha tem atrações como a bicentenária Festa do Divino, as construções históricas, belas praias e é Terra do Beto Carrero World. A cidade é a maior produtora brasileira de marisco.

Fundada em 19 de julho de 1958, tem, além do turismo, a pesca e a maricultura como o forte da sua economia, que ocupa o primeiro lugar no Brasil no cultivo de marisco. A produção chega a 3.500 toneladas anuais.

Com população de 18.000 habitantes de base Açoriana, Penha está no Litoral Norte/SC, a 120km de Florianópolis. Tem clima temperado úmido e está próximo de Itajaí, Porto Belo, Bombinhas, Blumenau, Navegantes, Joinville, Barra Velha.

A História de Penha começa no século XVIII, com a chegada de açorianos atraídos pela pesca da baleia, abundante na costa catarinense àquela época. Esses colonizadores se fixaram na costa da Baía do Itapocorói, que servia de atracadouro para embarcações, fundando a Armação dos Baleeiros do Itapocorói.

É a construção da Capela de São João Batista, em 1759, que marca efetivamente o início do antigo povoado. Diversas construções foram surgindo em torno da capela e transformaram a Armação num importante pólo econômico. Com a diminuição dos cardumes de baleias, ganham importância a pesca artesanal e o comércio rudimentar de subsistência. A partir do século XIX, expande-se com rapidez a Freguesia de Nossa Senhora da Penha, que passa a centralizar o então distrito de Itajaí, emancipando-se em 1958.

Atrativos Turísticos de Balneário Piçarras

A combinação do mar com as belezas naturais e a excelente estrutura urbana faz de Balneário de Piçarras uma praia de elite.

Ao longo da costa há belas residências e casas de veraneio, com ruas ladeadas por intenso comércio.

Restaurantes, bares e danceterias reúnem gente bonita para longas e animadas noites. Destacam-se os shows de verão, o carnaval de rua, a Feira de Negócios e Atrações de Inverno de Piçarras (julho), a Festa do Colono e o Festival do Folclore.

Destaque para a Praia de Piçarras, a mais central, propícia para banhos e a prática de esportes náuticos, e para a Praia das Palmeiras, de águas calmas, que faz divisa com a praia de Itajuba, pertencente a Barra Velha.

Conheça também a Barra do rio Piçarras, a Ponta do Jacques e as Ilhas Itacolomi e Feia.

Balneário de Piçarras tem boa infra-estrutura turística, distribuída ao longo dos seus 7 km de costa.