Ouro Preto

Localizada na região Central de Minas Gerais, a cidade de Ouro Preto reúne o maior e mais importante acervo da arquitetura e da arte do período colonial de todo o Brasil. Em meio ao casario dos séculos 17 e 18, construído nas ladeiras de uma região montanhosa, erguem-se 13 igrejas monumentais, com altares banhados a ouro e imagens sacras, nos estilos barroco e rococó. Pelo seu porte e conservação, Ouro Preto foi uma das primeiras cidades escolhidas no mundo para ser Patrimônio da Humanidade, em 1980, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Sua origem data da última década do século 17, com a descoberta do ouro no leito de um córrego, fato que atraiu centenas de bandeirantes paulistas e fez a riqueza da região por quase um século. Na aparência, eram pedras de superfície escura; daí, o nome ouro preto. Depois de fundido, revelava-se o amarelo.

Batizou-se o povoamento de Vila Rica de Albuquerque, em 8 de julho de 1711, data oficial de sua fundação. A administração portuguesa reconheceu-a, no ano seguinte, com o nome simplificado de Vila Rica. Baseado na exploração do ouro, seu apogeu econômico deu-se no período de 1730 a 1765, quando se consolidou como um centro urbano com uma população estimada em 25 mil habitantes.

Para a história do Brasil, Ouro Preto apresenta grande relevância como palco da Inconfidência Mineira, o principal movimento de contestação à metrópole portuguesa, ocorrido em 1789. A traição de um de seus integrantes levou a Coroa a descobrir a conspiração em Vila Rica, reprimindo-a duramente. Considerado o principal líder insurgente, o alferes Joaquim José da Silva Xavier, apelidado de Tiradentes, acabou enforcado e esquartejado no Rio de Janeiro, em 21 de abril de 1792.

O motivo imediato da revolta era a cobrança de impostos atrasados, o quinto sobre toda a extração de ouro, tributo estabelecido pelo governo português. Entre os rebeldes, havia um grupo de intelectuais bem informados sobre as idéias difundidas por ocasião da independência das 13 colônias inglesas na América do Norte (1776) e nos antecedentes da Revolução Francesa (1789). Entre seus planos, estavam a separação de Portugal e a fundação de uma república no Brasil. À memória do movimento, é dedicado o imponente Museu da Inconfidência.

A riqueza da economia baseada na mineração de ouro em Vila Rica deixou um legado de grande valor para a cultura. Ali, projetaram-se dois dos maiores artistas do período colonial brasileiro: o arquiteto, escultor e entalhador Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, e o pintor Manuel da Costa Athaíde.

A arquitetura religiosa do período leva a marca da ostentação e do luxo, como pode ser observado nas igrejas de Nossa Senhora do Pilar, São Francisco de Assis, Nossa Senhora do Rosário e de Santa Efigênia. Uma das soluções originais deu-se com o largo emprego da pedra-sabão, abundante na região, como forma de substituir o mármore europeu. Os chafarizes de Marília e do largo de Frei Vicente Botelho acrescentam uma graça ainda mais especial ao tortuoso traçado urbano.

Vila Rica tornou-se a primeira capital de Minas Gerais, já em 1721. Mudou o nome para Ouro Preto, em 1823, e permaneceu como capital até 1897, quando a sede do Estado passou a ser Belo Horizonte. Em 1933, o então presidente da República, Getúlio Vargas, concedeu-lhe o título de Cidade Monumento.

Ouro Preto tem cerca de 69 mil habitantes, segundo estimativas em 2006. Principais distâncias: Belo Horizonte (95 km), Rio de Janeiro (475 km), São Paulo (675 km) e Brasília (840 km).

Fontes: Plano de Conservação, Valorização e Desenvolvimento de Ouro Preto e Mariana (Fundação João Pinheiro, 1973); Dicionário Histórico Brasil: Colônia e Império, de Angela Vianna Botelho e Liana Maria Reis (Editora Autêntica, 2001); Dicionário do Brasil Colonial 1500—1808, direção de Ronaldo Vainfas (Editora Objetiva, 2000); e Enciclopédia dos Municípios Brasileiros (IBGE, 1959) Fonte

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